Hot Cross Buns



Este post segue todas as palavras do anterior. Do conforto de ligar o forno e fazer um pão doce. De todas as memórias e afectos que se cruzam na minha cozinha e no que gosto de cozinhar e comer. Do preparar uma receita a pensar na Páscoa, ou somente porque sim, porque é essa a vontade. Porque gostamos tanto de massas lêvedas e doces. Vale a pena repetir tudo o que escrevi e seguir a mesma linha de receitas.

Em casa andam a pedir para cozer um folar simples ou algarvio, em camadas. Confesso que adoro ambos e vou ver se no domingo temos um deles na nossa mesa. Sei que a minha avó vai ficar feliz, e enquanto a posso fazer sorrir com estas pequeninas coisas, acreditem que o faço. Quis no entanto experimentar uma receita nova, os Hot Cross Buns. Andei a ver os livros de culinária nas estantes e acabei por me inspirar na receita da Donna Hay, que gosto tanto. 

Desta vez amassei a massa à mão, não usei a batedeira eléctrica. Quis que fosse toda a magia desde o início ao fim do processo. Escolher a receita, preparar os ingredientes, amassar com as minhas mãos (é mesmo uma terapia), ver crescer a massa levedada, e levar ao forno na minha assadeira preferida da Staub. Desde que a tenho, não há bolo, tarte ou pão que se queime (quem me conhece sabe bem que o meu forno é temperamental, com gás de botija e difícil de regular e por isso ando nas nuvens). 
Gosto do toque da laranja com o chocolate, por isso segui esse caminho para esta receita. Preparem o chá, juntem-se à mesa e vamos provar estes pãezinhos doces. Boa Páscoa!








Hot Cross Buns
(adaptada do livro Modern Classics 2, de Donna Hay)

2 colheres (chá) de fermento de padeiro seco
1/2 chávena de açúcar
1 + 1/2 chávena de leite morno
4 + 1/4 chávena de farinha trigo sem fermento
2 colheres (chá) de canela em pó Margão
raspa de 1 laranja
1/2 colher (chá) de sal
50 gr de manteiga derretida
1 ovo batido
1/2 chávena de arandos secos (ou passas)
1/2 chávena de pepitas de chocolate negro

para os riscos:
1/2 chávena de farinha de trigo sem fermento
1/3 chávena de água

para a cobertura brilhante:
2 colheres (sopa) de geleia
1 colher (sopa) de água 


Preparação

Numa taça pequena colocar o fermento, 2 colheres de sopa do açúcar e o leite todo e deixar por 5 minutos até que comece a fazer espuma.
Noutra taça grande colocar a farinha, canela, raspa de laranja, sal, restante açúcar e misturar com uma colher de pau. Abrir um buraco no centro e colocar o ovo, a manteiga e a mistura do leite, começando a envolver tudo. 
Passar esta mistura para uma mesa enfarinhada e começar a amassar com as mãos (em alternativa poderá usar a batedeira com o gancho da massa) tendo o cuidado de não juntar muito mais farinha, apenas nas mãos para ser mais fácil de trabalhar. Amassar durante uns 8 minutos. Depois abrir a massa e juntar os arandos e as pepitas, fechar e amassar para incorporar.
Deixar a massa levedar num sítio quente, tapada com um pano, por uma hora ou até dobrar o volume. 
Dividir a massa em 12 pedaços e formar bolinhas. Colocar as bolinhas numa assadeira grande ligeiramente untada e com papel vegetal. Deixar levedar por mais 30 minutos.
Pré-aquecer o forno a 180ºC. 
Preparar a mistura para fazer os riscos, misturando a farinha com a água até ficar uma massa uniforme. Colocar num saco de pasteleiro e desenhar os riscos em forma de cruz no topo das bolinhas. 
Levar ao forno até cozer, por uns 40 minutos. Retirar do forno.
Aquecer a geleia com a água, só para misturar, e pincelar o topo dos buns, ainda quentes.

Bom Apetite!











Brioche Banoffee



A verdade é que eu adoro pão. Todo o tipo de pão me sabe bem aos olhos e ao palato. É dos alimentos que mais me alimenta, pela sensação de conforto como a de uma torrada quente com manteiga, pelas refeições que desenrasca em sanduíches abertas ou tartines quentes, pelos belos dos petiscos que acompanha em forma de ritual, por ser um elemento presente na nossa mesa desde sempre. E pelo acto de o fazer em casa. Não há nada como amassar um pão, ver a massa levedar e sentir o cheiro quente do pão ao sair do forno. Crosta crocante e um miolo irresistível. Ainda quente. Passem a manteiga por favor, que eu sou uma mulher feliz.

Cresci a ver a minha avó a amassar pão e broa. Sem pressas. Pão de verdade. E a cozer no forno a lenha. Adorava as sextas-feiras quando chegava a casa dos avós, para além da sopa à lavrador feita numa fogueira, havia pão acabado de fazer, quentinho e maravilhoso. São memórias que são como um abraço, para o coração e estômago.
E apesar do tempo correr, gosto de ter esse prazer sempre que posso. O de fazer pão. Simples, salgado ou doce. Adoro pão doce, massas lêvedas e brioche amanteigado. Fatias de prazer e sustento, que nascem das nossas mãos. Que alimentam a alma.

Preparei este Brioche Banoffee já a pensar na altura da Páscoa. Época de folares e pães doces. E da partilha dos mesmos. Adoro. Tenho sempre bolo folar em casa, fresco ou congelado, e sempre caseiro (mesmo que não tenha sido feito por mim). Os bolos das Alhadas aqui da zona são deliciosos em fatias torradas. E o bolo de Ançã também. Há pouco tempo tive o prazer de preparar folares tradicionais, doces e bem simples em casa de uma amiga que tem um enorme forno a lenha. Cozemos os folares num dia bem passado e feliz (acho que sou sempre mais feliz quando preparo um bolo, ou acendo o forno). Foi uma fornada enorme, que encheu a casa de sorrisos, perfume a pão doce e um lanche de aconchego.
Este brioche é receita do livro "Aimee's Perfect Bakes" da Aimee Twigger. Basta lembrarem-se dos rolinhos de canela e leite dourado para entenderem que só pode ser receita boa. Das que me faz escrever sobre memórias, afectos e dias felizes.







Brioche Banoffee

para a massa:
500 gr de farinha de trigo
60 gr de açúcar mascavado claro
1 e 1/2 colher (chá) de sal
2 e 1/2 colher (chá) de fermento de padeiro seco
3 ovos
100 ml de leite
3 colheres (sopa) de doce de leite
110 gr de manteiga amolecida
50-100 ml de água

para o recheio:
60 gr de manteiga derretida
60 gr de açúcar mascavado claro
2 bananas descascadas e em rodelas
4 colheres (sopa) de doce de leite


Preparação

Numa taça colocar a farinha, açúcar, sal e fermento, tendo o cuidado de colocar o fermento do lado oposto ao do sal. Juntar os ovos, leite e doce de leite e começar a bater a massa na batedeira eléctrica, com o gancho da massa colocado. Adicionar 50 ml de água e deixar bater durante 2 minutos.
Em seguida juntar a manteiga, uma colherada de cada vez, enquanto continua a bater a massa. Se achar a massa demasiado pesada junte mais água aos poucos. 
Deixar amassar bem a massa durante uns 5 minutos.
Depois de amassada, deixar levedar por 1-2 horas, num local quente. 
Depois de levedada, colocar a massa numa superfície enfarinhada. Amassar com as mãos e depois com a ajuda de um rolo esticar a massa num rectângulo longo e fino.
Com um pincel, espalhar a manteiga derretida pela superfície da massa. Salpicar o açúcar por cima, e colocar as rodelas de banana, de forma a ocupar toda a superfície. Em seguida colocar o doce de leite por cima com ajuda de uma colher. 
Enrolar a massa a partir do lado mais largo do rectângulo, até formar um rolo. Cortar o rolo ao meio no sentido do comprimento. E enrolar as duas tiras de rolo uma na outra, dando assim forma ao brioche.
Colocar numa forma untada e forrada com papel vegetal e deixar levedar por mais 40 minutos.
Pré-aquecer o forno a 180ºC. Levar o brioche ao forno até cozer, uns 35-45 minutos.
Desenformar e servir morno ou frio.

Bom Apetite!



Tarteletes de Aveia com Chia e Açaí



Tarteletes ao pequeno-almoço? Sim, eu quero! Saudáveis e deliciosas, para começar o dia da melhor forma ou mesmo para um lanche ou sobremesa. Adorei a ideia e foi logo uma das primeiras receitas marcadas para fazer no livro novo da querida Mafalda Rodrigues de Almeida. 
O "Superalimentos - Refeições com Mais Vida" está lindo, e cheio de boas ideias para comermos de forma mais saudável, utilizando superalimentos e receitas cheias de vida. 

Às vezes com horários de trabalho intensos, nem sempre tenho tempo para comer da melhor forma, embora tente sempre. E neste livro encontro óptimas ideias para manhãs, refeições, lanches e sobremesas. Não é mais um livro só de batidos e sumos verdes, ou de trufas saudáveis. O que gosto nele é que tem imensas refeições caseiras. Tenho marcadas receitas como Pão de Pêra com Lucuma e Nozes, Queques de Cacau com Sésamo, Batata-Doce Recheada com Quinoa e Feijão Preto, Pizza de Mozzarella em base de Bróculos, Porco com Molho de Amendoim e Arroz de Matcha e Lima, Salada de Framboesas, Beterraba e Amêndoas Caramelizadas, Noodles de Abóbora com Gambas e Curcuma e Rolo de Ricota com Mirtilos. Convida a ir para a cozinha.

Comecei pelas receitas das manhãs, que gosto sempre tanto. E com aquela vontade de Primavera com gosto a Verão. Não resisti a trazer os primeiros morangos para casa, para matar saudades. E sentir o cheirinho a dias de sol e de manga curta que anseio. 
Preparem as bases na noite anterior, e pela manhã é só colocar o iogurte natural, a fruta fresca (framboesas no original) e os toppings ao vosso gosto. Garanto que vai saber a Verão e a sobremesa, que são duas coisas que me animam sempre!
Entretanto fiquem atentos ao facebook do blog, eu e a Mafalda temos uma surpresa para os leitores do Ananás. 






Tarteletes de Aveia com Chia e Açaí

base:
100gr de flocos de aveia finos
30 gr de nozes
1 colher (chá) de sementes de sésamo
1 colher (chá) de coco ralado
1 colher (chá) de açaí em pó
1 colher (chá) de óleo de coco derretido
1 colher (chá) de mel

topping de iogurte e fruta:
300-350 ml de iogurte natural
morangos e mirtilos q.b.
sementes de chia q.b.
mel q.b.


Preparação

Pré-aquecer o forno a 200ºC. Colocar a aveia, nozes, sementes, coco ralado e açaí num processador de alimentos e triturar até obter uma farinha granulada. Juntar o mel e o óleo de coco derretido e triturar até ligar. 
Dividir a mistura por 3 a 4 formas de tarteletes untadas (dependendo do tamanho delas) e forrar com a mistura de aveia, pressionando bem nos cantos e laterais. Levar ao forno a 180ºC durante uns 8-10 minutos ou até começarem a dourar nas pontas. 
Deixar arrefecer e depois rechear com iogurte natural e servir com fruta a gosto, salpicar com sementes de chia e um fio de mel.

Bom Apetite!